Calculistas

Somos demasiado calculistas. Tentamos resolver-nos numa raiz quadrada que não nos dá o resultado daquilo que somos. Elevamo-nos em potência para uma sobrevivência que nos assusta, em pleno, a nossa vivência. Colocamo-nos por entre números esquecendo-nos que isso nos leva à fração daquilo que somos e que nos separa numa divisão que não nos leva à comunhão. Não nos temos dividido para gerarmos mais, temo-nos divido para sermos cada vez menos. Menos em nós e nos outros.
Somos demasiado calculistas. Apostamos toda a nossa relação entre somas e subtrações esquecendo que somos e nos realizamos em muito mais do que isso. Fazemo-nos e acontecemo-nos, tantas e tantas vezes, do nada que não temos e que não nos dão, multiplicando em nós as graças de se viver em total graça.
Somos demasiado calculistas. Esquecemo-nos que as contas das nossas vidas não têm literal resolução. Não têm respostas certas ou erradas, nem processos mais ou menos indicados. As contas das nossas vidas vão sendo resolvidas à medida que nos deixamos resolver pelo mistério do infinito que não conseguimos calcular e que apenas nos vai deixando aproximar daquilo que somos. As contas das nossas vidas não se resolvem todas na percentagem indicada de uma distribuição normal. Continuamos a prestar contas à vida e na vida com os números dos nossos passos que, não respeitam coordenadas padronizadas, mas que nos relembram, em todo e qualquer momento, o que somos quando nos predispomos a igualar na humanidade que existe em cada um de nós.
Somos demasiado calculistas. E, por isso mesmo, surge em nós cada vez mais incógnitas, porque não nos encontramos em cálculos que nos afastam da realização plena. Não precisamos de mais, nem menos. Não necessitamos de equações de segundo grau. Precisamos, isso sim, de caminhar segundo os degraus das nossas inquietações, para que, no final de cada dia, não nos tenhamos perdido em cálculos que nos impedem de perceber que o melhor resultado de toda a nossa vida é poder caminhar por entre somas e subtrações e deixarmos que ela ganhe sentido na irresolúvel expressão do amor!

[Texto da autoria de ©Emanuel António Dias] 

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[Fotografia da autoria de ©Gayatri Malhotra]

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