Adormecemos!

Adormecemos e nem reparamos nisso. Deixamo-nos dormir e quando acordamos fizemos de conta que não era nada connosco. Tornou-se muito fácil de resolver as coisas deste jeito: deixando-nos indiferentes. Encostamo-nos na nossa comodidade e no conforto do cotão do nosso umbigo para não termos que escutar aqueles que, pelo azar da vida e da falta de ajuda, acabaram por cair nas bermas da estrada da nossa existência.
É tudo tão distante e tão irreal. Ou pelo menos queremos acreditar que é assim, para não termos que ficar incomodados ao ponto de perdermos este nosso sono de beleza que insiste em não nos acordar para a realidade. Ignoramos as notícias ou até muitas das vezes disfarçamo-las em pequenos quadrados para não nos apercebermos que o mundo grita por ajuda e desespero. Para não nos deixarmos dominar pela inquietação de que nem tudo está tão bem e que os problemas não andam simplesmente a circundar a bolha do nosso egoísmo. Decidimos atacar quem ajuda em vez de ajudar quem é constantemente atacado.
A última vez que estávamos acordados saíamos em busca por um mundo melhor de todos e para todos. Hoje saímos à procura de um mundo só nosso, onde caiba somente o meu ‘eu’ e a minha conveniência. Já não nos inquieta o sofrimento, ou a dor se isso não se refletir em likes disfarçados de preocupação. Já não nos incomoda a injustiça, disfarçada em perseguições e atentados, se isso não se refletir em hashtags de orações fingidas. Já nada nos acorda deste sono profundo de fazermos a diferença pela diferença.
Adormecemos e não deixamos que nos acordem. Muitas vezes até por medo de sermos enganados ou de não sermos valorizados, mas a verdade é que precisamos de novo de nos tornarmos doutores de serviço e não de mais serviços repletos de doutores. Num mundo onde a guerra, a fome e a perseguição são uma realidade não se pede mais teorias, nem burocracias, pede-se, isso sim, um olhar profundo e tremendamente humano.
Adormecemos e corremos o risco de um dia acordarmos e vermos que o nosso maior pesadelo se tornou a realidade da nossa humanidade. Não é altura de sermos heróis, nem de pisarmos terras que não conhecemos, mas somos convidados a sermos verdadeiramente humanos e olharmos com olhos de ver aqueles que se encontram à nossa volta e, assim, acordarmos de novo para a vida!

[Texto da autoria de ©Emanuel António Dias]

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[Fotografia da autoria de ©Pixpoetry]

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