Quebrar para unir

“Muitas das vezes é preciso quebrar para unir.”
Pe. Rui Miguel 

Não temos de nos manter sempre por inteiro, nem a vida nos dá hipóteses para que consigamos conservar em nós todos os pedaços que nascem connosco. Somos desmanchados por momentos que nos destroem sem aviso. Somos destroçados por pessoas que nos rompem a vida com maldade e dor. Somos quebrados por experiências que nos retiram a vontade de sonhar. Somos despedaçados e retiram-nos a confiança da vida. Por isso, precisamos de pegar em tudo de novo e de reconstruir em nós o sentido de que tudo aquilo que nos vai acontecendo é motivo para nos focarmos na complexidade da simplicidade. Por isso, necessitamos de deixar de segurar as pontas de tudo e de todos para que se quebre aquilo que já não nos completa, mas que unicamente nos pesa a existência.
É preciso quebrar para unir. Partir para que se possa repartir e sair de novo rejuvenescido e lavado pelas águas da verdade, da felicidade e da plenitude.  Precisamos de nos podar e deixar que nos cortem o mal pela raiz. Precisamos que os ramos que já não brotam vida, nem fruto sejam queimados para que o calor daquilo que é quebrado reacenda em nós a certeza de que a vida ressurge por entre as cinzas daquilo que nos foi arrancado.
É preciso quebrar para unir. É preciso eliminar as sementes que não nos tornam fecundos e que fazem crescer em nós os alimentos de uma rotina sem sentido. Não precisamos de ser somente alimentados. Não vivemos apenas com a maquinação de gestos e de tarefas. Necessitamos, isso sim, que o alimento nos dê o dom de ver com olhos de ver. De ouvir com ouvidos que escutam. E que nos dê a energia para caminhar pelo que foi quebrado para que possamos, em todos os dias da nossa vida, perceber o que deve ou não ser mantido na fragilidade da nossa humanidade.
É preciso quebrarmo-nos para não sermos eliminados de uma vez por todas e por uma só quebra. É preciso quebrarmo-nos para unirmos aquilo que verdadeiramente somos para que não aparentemos viver e nos libertemos, isso sim, para uma vivência autêntica. É preciso quebrar para viver!

[Texto da autoria de ©Emanuel António Dias]

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[Fotografia da autoria de ©Jhonis Martins]

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