Mudar de vistas

Às vezes precisamos de mudar de vistas para que não caiamos numa rotina sem sentido e tremendamente monótona. A nossa humanidade e a nossa própria existência merecem que o nosso olhar alcance sempre mais beleza, mais pessoas, mais lugares e recantos cheios de encanto. Não vivemos, nem existimos para que os nossos olhares se percam somente em angústia, desespero e dor. Não vivemos, nem existimos para nos deixarmos circundar por entre lugares e pessoas inacabadas e fechadas. Somos convidados, isso sim, a vivenciar e a olhar para aquilo que nos sustenta e nos alimenta verdadeiramente.  Somos desafiados a colocar a nossa vista em algo maior para que possamos elevar-nos, não em superioridade, mas em tremenda humildade reconhecendo a fragilidade que se vai revelando em todos os momentos da nossa história.
Mudar de vistas é ter a audácia de arriscar no desconhecido, mas saber que do outro lado, nesta entrega total e verdadeira, haverá novos caminhos para serem desbravados. Haverá nova natureza para ser contemplada. Haverá novas pessoas que nos darão a graça de nos sentirmos cheios de Graça.
É necessário mudar de vistas para que o coração possa sentir que, aquilo que vemos e deixamos que os outros vejam, é verdadeira vida a ser construída. Nós bem sabemos que é através dos olhares que toda a nossa vida se toca num mistério que jamais poderá ser resolvido. É no olhar e ao olhar que nos deixamos despir por completo aceitando que se faça em nós a realização de uma nova superação.
Mudar de vistas é pegarmos na mochila das nossas vivências e colocarmos a nossa existência no alto da montanha e olhar para todo o percurso que fizemos para que um dia pudéssemos ser o que somos e conquistar o que tanto sonhámos. Mudar de vistas é uma nova forma de se mostrar ao mundo que não nos deixamos cair nas cegueiras da mentira, do poder e de um vale tudo disfarçado em competitividade e felicidade.
Urge, na vida de todos os dias, que mudemos de vistas para que possamos olhar para tudo e para todos como se fosse a primeira vez e recomeçarmos, assim, a caminhada em direção à plena satisfação!

[Texto da autoria de ©Emanuel António Dias]

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[Fotografia da autoria de ©Austin Ban]

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