Vida no Futsal

Para quem não sabe, de há uns tempos para cá, aceitei ser uma espécie de treinador de uma academia de futsal. Digo-lhe espécie, porque ainda me falta muito para ser treinador e a minha formação como atleta nunca passou pelo futsal, mas sim pelo futebol. Apesar de existirem algumas semelhanças nos pormenores técnicos e no facto de se ter que lidar com a redonda tudo o resto é diferente. Desde a posicionamentos, a ritmo, a competitividade e, claro, a pormenores táticos, mas não vos venho falar, certamente, das características técnico-táticos do futsal, mas sim da humanidade e da simplicidade que me vou apercebendo e que se vai cruzando entre treinadores, jogadores, pais e o próprio clube.
A capacidade que uma simples bola tem de reunir e unir todos num só objetivo e numa só alegria faz-me perceber ainda mais o modo de viver destas crianças (dos 7 aos 11 anos) que me têm acompanhado e me têm deixado chegar até às suas próprias vidas. Felizmente, graças à equipa técnica que me acompanha, consigo e conseguimos chegar à criança, dando-lhe assim a oportunidade de crescer e, de acima de tudo, de ter tempo para ser criança!
Ali, naquele encontro semanal, vai acontecendo vida no seu estado mais puro. Entre vitórias e derrotas, entre conquistas e fracassos, entre lágrimas, sorrisos e risos contagiantes, entre fintas e cortes, entre remates e golos aquelas crianças vão-me mostrando que a vida se faz num caminhar repleto de obstáculos, mas que com alegria e paixão tudo se consegue.
São meras crianças, mas nas suas ingenuidades e na sua simplicidade vão-nos mostrando como é que se leva a vida e como que se leva o outro a essa mesma vida. São eles, muitas das vezes, que nos mostram como é que se recebe e se ampara o outro. São eles, muitas das vezes, que nos mostram como se contorna o conflito e as dificuldades.
São eles, os mais pequenos, que nos ensinam a ser grandes na partilha, no respeito, na conquista e na verdadeira entrega, seja ela ao futsal, no compromisso ou até mesmo com as pessoas que partilham os seus ensinamentos com elas.
A vida tem-me mostrado, através destes reguilas, que não é uma constante, mas sim um conjunto de variáveis que só funcionam quando são alimentadas pela verdade, pelo compromisso e pela paixão.
Estes pequenos e pequenas têm-me ensinado que só se ganha (n)a vida, quando nos deixamos perder nela!

[Texto da autoria de ©Emanuel António Dias] 

52684503_322260675304412_5975691322953039872_n

[Fotografia da autoria de ©Carina Neves]

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s