Fogo de viver

O som do piano relaxa-o e obriga-o a escutar-se. Ali, naquele preciso momento, entra em si mesmo deixando-se confrontar com a sua interioridade. Desde o início se apercebe que dentro si não há qualquer cor ou brilho. Tudo está apagado. Tudo foi desligado em si. A sua luz não sai para o mundo, porque não tem nada que alimente o seu ser. Não tem nada que alimente as suas sombras.
Falta-lhe a alegria de outros tempos. Falta-lhe ir ao encontro daquilo que realmente o realiza. Falta-lhe a adrenalina que lhe despertava para a vida. Falta-lhe dar de caras com a sua própria vida.
Deixou de procurar em si mesmo para ir ao encontro do que estava no mundo. Deixou que lhe apagassem o fogo da sua felicidade.
Deixou de procurar em si mesmo e apostou tudo o que tinha num jogo que há muito tinha sido corrompido pelo mundo. E por causa disso resta-lhe muito pouco…
E com esse pouco que tem não pode apostar na escuridão do mundo. Tem de arriscar no seu próprio brilho. É altura de viver para a felicidade. É altura de libertar para o mundo a luz da sua própria vivência, onde para isso terá de mudar o rumo de todas as suas ações. Tem de virar as suas apostas.
É fundamental apostar na sua própria vida, pois será esse o lema da sua caminhada. Apostar curto, mas bem.
Apostar nos sorrisos e gargalhadas que lhe preenchem o coração. Apostar nos olhares que lhe avivam a alma. Apostar nos abraços que lhe aquecem o coração. Apostar no toque para que surja, de novo, a adrenalina de viver a vida de todos os dias.
E apostando por inteiro na sua própria vida estará a dividi-la, sem se aperceber, por todo o mundo. Apostando por inteiro na sua própria vida estará a render toda a sua alegria. Apostando por inteiro na sua própria vivência estará a devolver o único fogo que alimenta toda e qualquer existência: a felicidade de se viver, plenamente, o dom da vida.
Por isso, iluminado, partiu…alumiando todos os que se abeiravam de si. E levando consigo um coração ardente foi capaz de dar fogo do seu fogo para que os corações do mundo voltassem a sentir o calor de uma vida sustentada no rejubilo e na autenticidade!

[Texto da autoria de ©Emanuel António Dias]

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[Fotografia da autoria de ©Pexels]

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