Devaneios sobre a humanidade

Sabemos sempre muito mais dos outros do que nós mesmos, ou pelo menos fingimos que sabemos. É muito mais fácil opinar sobre aquele ou outro assunto sem estarmos familiarizados com ele. Sem darmos o outro lado da cara. Sem nos posicionarmos do outro lado da vida que também ali acontece. É muito mais simplista reduzirmos um assunto ou uma pessoa ao “eu acho que…”, ou “eu não faria…” ou ainda “só o é porque quer…”.
Precisamos de mudar esta forma de estar. Não fomos feitos para julgar. Não é para isso que aqui estamos. Somos seres de relação. Relação essa que surge na capacidade de estarmos incondicionalmente, não aceitando tudo, mas também não atirando a primeira pedra ou a primeira condenação.
A relação, a que todos somos convidados a viver, pede-nos para entrar no outro lado da margem. Nessa margem, muitas vezes atordoada, que necessita de tudo menos de alguém que a torne ainda mais penosa.  Vimos para alcançar esta relação de entrega e de verdadeiro alívio para com o outro.
Não levamos nada desta vida com estas observações mesquinhas que nos enaltecem exteriormente, mas que vão mascarando, unicamente, aquilo que nos atormenta por dentro. Não levamos nada desta vida com estas “falsas imagens” de que a perfeição e a superioridade mora em tudo aquilo que sou, faço e digo.
O segredo de todo este mistério que abrange a vida e a complexidade de cada Homem está na capacidade de sermos presença verdadeira. Presença que conforta, que atenta e que alivia.
O segredo de todo este mistério está na capacidade em nos debruçarmos sobre nós mesmos, para que depois sim possamos estar abertos à vida e aos problemas dos outros. Quanto maior for o conhecimento sobre a nossa humanidade, maior será a nossa capacidade para caminharmos juntamente com aquele que partilha o mesmo dom que eu: a vida.
Seremos sempre muito pequenos para julgarmos a vida de alguém.
A nossa verdadeira missão não é dobrarmos o outro, mas debruçarmo-nos sobre o outro, para que esse outro possa olhar sempre para o alto.

[Texto da autoria de ©Emanuel António Dias]

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[Fotografia da autoria de ©Engin_Akyurt]

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