100 Medos

“A vida é maravilhosa se não se tem medo dela.”
Charles Chaplin

São eles, os medos, que nos impossibilitam de ver mais além.
São os medos, esses especialistas em nos amedrontar, que nos fazem acreditar que a vida não pode ser muito mais, que nós não podemos ser muito mais.
E vamos vivendo com estes mestres do pânico e do temor, como se fossem donos da nossa vontade. Vamos transportando-os para a nossa vida, para as nossas relações e para a nossa forma de estar.
Tudo em nós, meros seres humanos, é refletido nos nossos medos.
O nosso reflexo espelha o medo pelo desconhecido. Espelha o nosso medo pela solidão.  Espelha o nosso medo de tanta fragilidade. Espelha o nosso medo de não se ser muito e de ter tão pouco para apresentar. Espelha o nosso medo pela vida e pelo que ela nos pede. Espelha o nosso medo de se não ter ninguém para partilhar essa fobia. Espelha o nosso medo pelo que não podemos controlar. Espelha o nosso medo pela finitude da nossa humanidade. Espelha o nosso medo de ter medo.
Depois, todos estes receios são refletidos de diversas formas. Aqui surge a autenticidade e a complexidade da humanidade que existe em cada um.
Uns escondem do mundo o seu medo e apenas o revelam nas entrelinhas das suas palavras. Outros concentram todos os seus medos e fazem disso a sua bolha protetora, onde congestionam as suas vidas. Muitos outros usam a sua energia para que, na sua raiva e na sua força, consigamos entender que os seus medos direcionam todos os seus passos. Outros, tapando os seus medos, vão revelando-os em pequenos gestos e em olhares brilhantes carregados de água e sal.
Todas estas manifestações revelam o medo existente em cada ser humano. E existindo humanidade, obrigatoriamente, toda ela acabará por se unificar.
Por isso, todo aquele que teme vai gritando ao mundo. Todo aquele que vive rodeado de medos vai gritando ao mundo, em diversos tons, o desejo de poder ser abraçado em cada momento de tremura.
Vai gritando ao mundo, em diversos tons, o desejo de ter um ombro para repousar a sua cabeça.
Vai gritando ao mundo, em diversos tons, que a vida mesmo cheia de medos encontra a sua beleza, quando esta é sentida e partilhada com o outro.
Todos nós vamos gritando ao mundo, porque jamais seremos capazes de viver sem relações, sem proximidade e sem toque.

[Texto da autoria de ©Emanuel António Dias]

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[Fotografia da autoria de ©AniieSpratt]

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