Uma vida curada…

“E eu que ainda pensava estar apenas tratando dos pés.
Mas, de repente, senti que se não me aceitasse
(a mim e às minhas feridas que surgiram) e não entabulasse
um diálogo integrador comigo mesmo, não tornaria 
a encontrar a paz do caminho.”
Um Deus Que Dança (A Paz do caminho) – José Tolentino Mendonça

Procuramos, muitas vezes fora de nós, algo ou alguém que nos conduza até à paz.
Corremos meio mundo à espera que a paz seja algo mágico que desça sobre nós em forma de pomba, e esquecemo-nos que ela vive dentro de nós.
Esquecemo-nos, imensas vezes, que a paz que queremos construir, para nós e para os outros, nunca virá do que o mundo nos oferece, mas sim daquilo que queremos e poderemos vir a oferecer ao mundo.
Essa paz que todos nós procuramos não é uma utopia.
Essa paz que todos nós procuramos não é uma miragem.
Essa paz que todos nós procuramos é um desafio permanente de nos aceitarmos tal como somos.
É um desafio permanente que nos leva a entender o quão frágil é a nossa humanidade.
Uma humanidade que não nos livra do erro, nem da dor, mas que procura incessantemente pela aceitação.
Não há paz, enquanto não formos capazes de curarmos as nossas feridas.
Não há paz, enquanto não formos capazes de entender daquilo que somos feitos.
Não há paz, enquanto não formos capazes de lavar estas botas do passado que nos impedem de caminhar no presente e de voar para o futuro.
Não há paz, enquanto não nos aceitarmos tal como somos.
Toda e qualquer vida vive de conquistas, de falhas, de alegrias e dores.
Toda e qualquer vida precisa que tudo isto esteja em sintonia para que a paz seja uma realidade.
Não olhemos para fora, sem olharmos bem para dentro de nós.
Não ajamos no mundo, sem antes causarmos uma revolução dentro de nós.
As indicações para o caminho da paz não surgem do nada, nem através de ninguém.
As indicações para o caminho da paz aparecem a cada passo que damos para que nos aceitemos sem pormos de lado aquilo que fizemos, fazemos ou poderemos vir a fazer.
O caminho da paz será, sem dúvida alguma, longo, doloroso e pesado, mas levar-nos-á à autenticidade de uma vida curada.

[Texto da autoria de ©Emanuel António Dias]

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[Fotografia da autoria de ©Pexels]

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