Anjos patudos

“Os cães são o nosso elo com o paraíso.
Eles não conhecem a maldade, a inveja,
ou o descontentamento.”
Milan Kundera

Existem anjos que não falam, mas que ladram e dão lambidelas.
Existem anjos que não abraçam, mas que nos suportam com as suas patas.
Existem anjos que não se exprimem, mas que nos compreendem com o seu olhar.
Nem todos os anjos têm que ter asas e penas.
Nem todos os anjos têm que estar no céu.
Há anjos na terra que são peludos e portadores de quatro patas.
Há anjos na terra que fazem a diferença no nosso dia com uma simples corrida desenfreada até nós.
Os anjos não servem apenas para proteger.
Os anjos existem para nos acompanharem, para nos ensinarem e para nos guiarem até ao amor.
E estes anjos patudos e peludos têm a grande capacidade de amar sem limites.
Têm a grande capacidade de se sacrificarem sem terem noção disso.
Têm a grande capacidade de se manterem leais até que a vida lhes separe do seu fiel amigo.
São feitos de amor sem saberem o quanto poderão ser amados.
Eles não pedem muito na verdade, apenas um pouco de terreno para se roçarem.
Um pouco de tempo para vermos as suas parvoíces.
Um pouco de paciência para escutarmos as suas “conversas”.
Um pouco do nosso coração para se sentirem acolhidos.
Tudo isto é tão pouco, para compensar a sua alegria revelada em cada chegada à nossa casa.
Tudo isto é tão pouco, para compensar a sua maluquice por nos sentirem ao longe.
Tudo isto é tão pouco, para compensar aquele brilhozinho nos olhos sempre que lhes chamamos de pequenotes ou fofuras.
Temos a obrigação de entender, através destes anjos, que o amor se revela no silêncio e na sinceridade de um olhar.
Temos a obrigação de entender, através destes anjos, que a felicidade não é uma utopia.
Tenhamos a sorte de, na nossa vida, sermos abençoados por estas pequenas criaturas que nos ensinam a amar sem olharem para aquilo que temos ou fazemos.
Tenhamos a sorte de, na nossa vida, sermos abençoados pela presença sincera destes anjos.

Dedico este texto às minhas cadelas, que se têm revelado verdadeiros anjos na minha vida, e, claro, a todos os anjos patudos espalhados por esse mundo fora, que não se cansam de espalhar o amor com as suas famosas lambidelas.

[Texto da autoria de ©Emanuel António Dias]

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[Fotografia da autoria de ©Emanuel António Dias]

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2 pensamentos sobre “Anjos patudos

  1. Só nao concordo que os caes nao “tëm noçao disso”……acho que sentem tudo a sua volta ..daí serem
    Só amor e carinho…..e quem nao gosta de animais….nao gosta de si mesmo.
    Continuaçao de muita creatividade e partilha.

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  2. Anjos patudos!?! Que giro e sao logo 3, gabriel, miguel, rafael 🙂 Nunca tive caes, mas o gato k tive era quase um caozinho. Um anjo sim, ja me deixou em 2014 depois de 15 anos de companhia. Tambem sao seres unicos e insubstituiveis porque têm personalidade. Será k dou muito trabalho ao meu anjo da guarda?!

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