O Acaso da vida

E se tudo o que vemos à nossa volta não for mero acaso?
Se toda a existência e toda a vida criada, não for pura concretização de uma probabilidade incalculável?
Se nada do que foi criado tiver um desenhador ou um propósito?
Se toda a existência for puro acaso, então não existe qualquer significado para a dor e para a alegria.
Não existe explicação para cada conquista e para cada derrota, pois tudo acontece no seguimento de uma lógica que não se consegue definir, nem adivinhar.
Se toda a vida for cumprida por um sem número de probabilidades, na qual não existe um fundamento, onde está então o valor de cada coisa?
Se realmente a nossa existência é puro prémio da lotaria da vida, onde está então o sentido de tudo isto?
Como reagimos se realmente tudo isto for só uma mera passagem?
Que valor tem a vida de cada um? Sendo que surge de uma probabilidade infinita, suponho que traga um certo valor, mas não complementa o ser humano, nem o realiza.
Faz parte de cada um de nós esta procura. Faz parte de cada um de nós termos uma explicação de tudo isto: o porquê de ter surgido desta forma, deste jeito e com tamanho mistério.
Se tudo isto for obra de mero acaso, onde se encaixa a minha liberdade e o meu livre-arbítrio?
Se tudo isto for obra de mero acaso, como pode o Homem e o Mundo estar tão bem construído?
Sendo ou não obra do acaso, cabe a nós celebrarmos, todos os dias, a sorte de fazermos parte dessa probabilidade que nos mantém vivos.
Sendo ou não obra do acaso, cabe a nós aproveitarmos, todos os dias, a verdadeira beleza que existe em tudo aquilo que o mundo tem.

[Texto da autoria de ©Emanuel António Dias]

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[Fotografia da autoria de Skeeze]

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5 pensamentos sobre “O Acaso da vida

  1. Se …..e se….
    Será a vida um se?…
    Será a vida um acaso?…..
    Que seja um ……qualquer coisa que eu a defina e sinta como felicidade…como realizaçao daquilo que quero ser ….

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  2. Deus continuará sempre presente, pelo menos, na pergunta por Ele…

    Ainda bem, pois a curiosidade humana (e não só) está programada nos genes e arranjámos temporariamente o conceito de Deus para tentar explicar tudo o que não entendemos até o conseguirmos (veja-se os vikings perante o fenómeno do eclipse solar, por exemplo…)

    Mas conforme vamos entendendo a Natureza e o Universo, o conceito de Deus das lacunas é progressivamente substituído pelo conhecimento e é cada vez mais remetido para a gaveta de baixo ou para o caixote dos papéis.

    Quanto às perguntas “misteriosas”, as respostas são muito simples:
    1º Porque há algo e não nada? Porque se não houvesse algo, não estaríamos aqui a falar sobre o tema (corolário do princípio antrópico).
    2º Donde vimos? Do pó das estrelas.
    3º Para onde vamos? Ajudar a formar as futuras estrelas.
    4º Porque se deve fazer o bem e não o mal? Porque milhões de anos de evolução programaram nos genes que é mais útil a um animal social ser aparentemente altruísta do que hostilizar o grupo social ou alguém desse grupo.
    5º Acaba tudo com a morte? Claro que sim. Por vezes nem sequer existe morte e acaba tudo à mesma com a morte da consciência derivado de um trauma ou de uma doença degenerativa.
    6º Qual é o sentido último da existência? Basta olhar para os genes de qualquer espécie e concluirmos que o único objetivo é, enquanto espécie, sobreviver até ser capaz de se reproduzir como invólucros de genes e assim perpetuar a informação genética neles contida.

    Estas perguntas apenas ainda são um mistério para quem anda muito distraído ou então a ganhar dinheiro com a ignor… perdão, com a distração dos outros.

    A única razão para ainda existir tanta gente religiosa por aí é que, graças ao instinto de sobrevivência (ou medo da morte) que está inscrito no complexo R do cérebro de todas as espécies animais que o possuem, agarram-se à escapatória de “viver para sempre” através da primeira historieta que lhe contam através do culto religioso local.
    E é por isso que o conceito de Deus assim como as suas leis, recompensas e penalidades, são variáveis em função da geografia.

    Não é a ignorância aliada a uma programação genética de sobrevivência que indicia, nem pouco mais ou menos, a existência de um qualquer Deus algures.

    A obsolescência do conceito de Deus é diretamente proporcional ao conhecimento e inversamente proporcional à ignorância e, é por isso, que o ateísmo cresce sem parar na Europa e não cresce noutras zonas do globo menos abonadas culturalmente.

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    • Percebo todo o comentário e desde já agradeço a leitura atenta.
      Entendo todo o seu ponto de vista e a única coisa que me desagradou foi mencionar ironicamente ou até sarcasticamente: “são um mistério para quem anda muito distraído ou então a ganhar dinheiro com a ignor… perdão, com a distração dos outros.”.
      O papel que a ciência e a fé têm são, claramente, diferentes, mas podem ser complementares. Como lia há uns dias: “”Na verdade, uma coisa é o trabalho científico, e a correspondente cultura; outra, bem diferente, é a ideologia de pensar que só a Ciência serve, pode ou deve imperar. Na verdade, a Ciência resolve muita coisa, e quotidianamente o faz. Mas só por si ela é, como sempre foi e sempre será, incapaz de resolver as questões mais profundas que o ser humano é capaz, ou obrigado, a, quotidianamente, se colocar.”.

      Aqui o que parece ser relevante é que a ausência de evidências não é evidência de ausências e por isso no máximo podemo-nos tornar agnósticos.

      Uma vez mais obrigado pelo comentário.

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  3. Li texto e comentários.
    1 – Para mim, não há ateus mas agnósticos, os que têm o seu Deus (o meu é o de Spinoza e Einstein) e não acreditam em nenhum dos deuses inventados pelas religiões, exactamente porque inventados para resposta aos mistérios desconhecidos da vida e do Universo.
    2 – As religiões e seus mentores – todos os “papas” e seus “acólitos” – só existem porque ainda há muitos ignorantes que preferem ser levados pelo que lhes dizem a fazerem uma análise crítica do que lhes é proposto para crença.
    3 – As religiões continuam a ser um óbice à Verdade da Vida e do Universo que a Ciência já nos revelou.
    Pergunto: quando é que os “papas” de todas as religiões serão capazes de deixar de “vender” mentiras, dizendo-as verdades, e contribuírem para o avanço do Conhecimento da Humanidade?

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    • Muito obrigado pela sua leitura e pelos comentários.
      É bom haver diálogo com respeito, mas volto a não gostar o facto de chamar “ignorantes” aos crentes.
      Volto a referir que tanto a ciência como a fé podem caminhar juntas e a prova disso é a existência de grandes descobertas nas ciências que foram realizadas por pessoas do clero.
      A humanidade vai crescendo sempre que o ser humano se deixa interrogar, sempre que procura e busca algo, por isso a religião não é um impedimento, mas pode, isso sim, ser uma ajuda para aqueles que procuram algo.

      Uma vez mais obrigado pela leitura e pelo comentário.

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