Ser Catequista…

Tudo começou há 4 anos… A convite de uma amiga minha passei de catequizando a catequista. Ao principio olhava para o desafio como algo um pouco esquisito e até nem muito cativante para mim, mas o que é certo é que a vida surpreendeu-me totalmente!

No primeiro ano como catequista fiquei com a turma do 6º ano e desde logo percebi que a catequese que tinha recebido era totalmente diferente com aquela que eu me identificava e que queria demonstrar àqueles jovens. E isto porquê?

A catequese que eu e muitos da minha idade receberam foi uma catequese muito à antiga, sem grandes visões para outros assuntos, sem demonstrar que a religião pode estar presente em vários temas da nossa vida. Foi então que percebi que era a altura de eu poder fazer a diferença juntamente com os meus colegas catequistas…

E comecei-o a fazer quando no segundo ano de catequista recebi, com grande surpresa e muito agrado, a notícia que iria comandar uma turma do primeiro ano! Não poderia ser melhor para mim, pois iria ter o contraste entre pequenas crianças, que começariam a descobrir um novo caminho, e ao mesmo continuar acompanhar os adolescentes, também eles numa fase bastante irregular e cheia de dúvidas.

Foi então aí que sofri uma mudança como catequista, porque eu sabia que na catequese era essencial perceber a história que a nossa religião tinha, que era importante saber todas aquelas adorações e orações que existem, mas acima de tudo eu queria-lhes mostrar que há muito para além disso!

Eu fiz por lhes mostrar que existe ligação entre nós todos, que na religião também existem imperfeições, que todos podem participar nos vários grupos, que na religião também existem dúvidas e que acima de tudo estava a dignidade humana!

E como poderia transmitir-lhes isso? Introduzi-lhes dúvidas, muitas delas faziam parte de mim. Aproximei-me da realidade deles e pus-me várias vezes na “pele” deles. Fi-los chorar e rir para entenderem que não se deve ter medo de demonstrar o que sentimos. Mostrei-lhes que apesar de todas as diferenças temos todos um elo de ligação que nos faz ser mais parecidos do que diferentes, mas acima de tudo preocupei-me com aquilo que lhes poderia faltar. Porque a catequese de hoje tem que estar atenta ao que lhes acontece na escola, no meio familiar e perceber se não lhes falta receber algo. E nesta falta refiro-me à falta de comida, de dinheiro, mas o mais importante de tudo: se lhes falta amor!

Se tenho feito um bom papel e se consegui fazer a diferença? Não vos sei dizer, caros leitores, mas sei que dei um pouco de mim a cada criança e a cada adolescente e fiz de tudo para que se sentissem bem e percebessem que eu e todos os catequistas para além de formadores de fé, somos alguém em quem eles podem confiar, em quem eles podem desabafar e contar para sempre!

Para finalizar só me resta agradecer a todos aqueles que, ano após ano continuam a fazer catequese e que façam-na cada vez mais de olhos abertos, pois a sociedade vive com graves problemas, porque se acreditamos que somos todos irmãos, então devemos demonstrar às crianças e adolescentes que não são apenas meras palavras bonitas.

Continuem a praticar o bem, continuem a fazer a diferença num mundo que todos os dias perde valores essenciais!

Obrigado por me terem dado a oportunidade de fazer catequese e obrigado a todas as crianças e adolescentes que me ouviram, que conversaram comigo, que partilharam a sua felicidade, tristeza e dúvidas, obrigado por me terem deixado entrar nas vossas vidas!

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